Na noite desta quinta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou uma Medida Provisória que zera o imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até 50 dólares, medida que ficou conhecida popularmente como “taxa das blusinhas”.
A decisão marca uma reviravolta em relação à política adotada pelo próprio governo em 2024, quando a cobrança foi aprovada com o objetivo de aumentar a arrecadação federal e fortalecer o comércio nacional diante da concorrência de plataformas internacionais.
A nova MP já entrou em vigor, mas ainda precisará ser analisada pelo Congresso Nacional em até 120 dias. Caso não seja aprovada dentro desse prazo, a tributação volta automaticamente.

MP será publicada ainda na noite desta terça-feira, dia 12, e passa a valer a partir da quarta-feira, dia 13. Foto: Wallison Breno/PR
O que era a “taxa das blusinhas”?
A tributação de 20% incidia sobre compras internacionais de até US$ 50 realizadas em plataformas estrangeiras, especialmente marketplaces populares entre os brasileiros.
A medida foi defendida pelo governo em 2024 com dois principais argumentos:
- aumento da arrecadação federal;
- proteção da indústria e do varejo nacional.
Na época, o Ministério da Fazenda enviou a proposta ao Congresso, que aprovou a cobrança. Apesar disso, Lula chegou a afirmar publicamente que considerava a medida “irracional”, mas sancionou a lei após aprovação parlamentar.
Quanto o governo arrecadou com a taxa?
Segundo dados divulgados pelo governo:
- em 2025, a arrecadação com a taxa das blusinhas chegou a aproximadamente R$ 5 bilhões;
- apenas entre janeiro e abril deste ano, já haviam sido arrecadados cerca de R$ 1,78 bilhão.
Os números mostram que a medida teve impacto relevante nas contas públicas, mas também diretamente no consumo da população.
O que motivou a revogação?
Nos bastidores políticos, a avaliação é de que a taxação teve forte desgaste popular.
A cobrança aumentou significativamente o custo das compras internacionais para consumidores brasileiros, especialmente em produtos de baixo valor, bastante populares entre jovens e pequenos empreendedores.
Com isso, setores do governo passaram a enxergar a medida como um dos fatores de impacto negativo na popularidade presidencial.
A decisão de zerar novamente o imposto acontece em um cenário de pressão política, discussões econômicas e aproximação do calendário eleitoral.
Reações dividem opiniões
A mudança gerou debates entre apoiadores e críticos do governo.
Críticos afirmam que:
- o próprio governo criou a taxação;
- a revogação agora teria motivação política e eleitoral;
- a medida representa insegurança tributária.
Apoiadores argumentam que:
- Lula sempre demonstrou resistência à taxação;
- a pressão pelo imposto teria vindo de setores empresariais;
- a revogação corrige um erro que afetava diretamente os consumidores.
O que muda na prática para consumidores e empresas?
Com a nova Medida Provisória:
✅ compras internacionais de até US$ 50 voltam a ficar sem o imposto de importação de 20%;
✅ consumidores terão redução no custo final das compras;
✅ marketplaces internacionais podem voltar a ganhar competitividade no Brasil;
✅ varejistas nacionais podem enfrentar novamente aumento da concorrência externa.
Apesar disso, outros tributos, como ICMS estadual e taxas administrativas, podem continuar incidindo dependendo da operação e da plataforma utilizada.
Impactos para o mercado e para o planejamento tributário
A mudança reforça um ponto importante para empresas e consumidores: o cenário tributário brasileiro continua em constante transformação.
Para empresários do varejo, e-commerce e importação, acompanhar alterações fiscais é fundamental para:
- ajustar precificação;
- revisar margens;
- adaptar estratégias comerciais;
- reduzir riscos tributários.
Além disso, o episódio evidencia como decisões tributárias podem mudar rapidamente conforme o cenário econômico e político.
Conclusão
A revogação da chamada “taxa das blusinhas” representa uma mudança importante na política tributária sobre compras internacionais no Brasil.
Enquanto consumidores comemoram a redução dos custos, empresas brasileiras acompanham os possíveis impactos competitivos da medida no mercado nacional.
Nos próximos meses, o foco estará na votação da Medida Provisória pelo Congresso Nacional, que decidirá se a isenção será definitiva ou temporária.
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