O Congresso Nacional teve uma semana movimentada, com decisões que podem impactar tanto os trabalhadores quanto os pequenos empreendedores brasileiros.
O Senado aprovou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1. Já a Câmara dos Deputados aprovou um projeto que amplia o limite de faturamento do Microempreendedor Individual (MEI), prevê o perdão de determinadas dívidas e aumenta a possibilidade de contratação de funcionários.
Mas o que essas mudanças significam na prática para trabalhadores e empresas? Confira os principais pontos.
1. Fim da escala 6×1: o que prevê a proposta?
A proposta aprovada pelo Senado prevê a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, com dois dias de descanso e sem redução salarial.
O texto estabelece uma transição gradual:
- Após dois meses: redução da jornada de 44 para 42 horas semanais.
- Após 14 meses: redução de 42 para 40 horas semanais.
A medida poderá impactar milhões de trabalhadores formais e exigir adaptações na organização das empresas.
Apesar da aprovação no Senado, é importante acompanhar a etapa final do processo legislativo e a definição das regras de implementação antes de alterar jornadas e escalas de trabalho.
Quais são os argumentos a favor e contra?
Os defensores da proposta destacam a possibilidade de melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, ampliar o tempo de descanso e favorecer a produtividade.
Por outro lado, representantes do setor produtivo alertam para possíveis aumentos nos custos operacionais, especialmente em empresas que dependem de equipes em funcionamento contínuo, como comércio e serviços.
O impacto real dependerá do setor, do modelo de operação e das medidas adotadas por cada empresa para se adaptar às novas regras.
2. MEI: limite de faturamento pode chegar a R$ 140 mil
A Câmara dos Deputados aprovou um projeto que prevê o aumento do limite anual de faturamento para enquadramento como Microempreendedor Individual.
Os valores propostos são:
| Período | Limite anual |
|---|---|
| Limite atual | R$ 81 mil |
| A partir de 2027 | R$ 110 mil |
| A partir de 2028 | R$ 140 mil |
A ampliação permitiria que mais empreendedores permanecessem no regime do MEI mesmo com o crescimento das vendas e da prestação de serviços.
Para quem está próximo do limite atual, a mudança pode representar mais espaço para expandir o negócio sem precisar migrar imediatamente para outra categoria empresarial.
Atenção: o projeto aprovado pela Câmara ainda precisa ser analisado pelo Senado e concluir o processo legislativo para que as novas regras entrem em vigor.
3. Perdão de dívidas do MEI
Outro ponto importante do projeto é a previsão de perdão integral de determinadas dívidas de microempreendedores individuais inscritas na Dívida Ativa da União até 13 de outubro de 2026.
O benefício, conforme o texto aprovado, prevê contrapartidas. Entre elas, o MEI deverá manter os recolhimentos em dia durante os seis meses consecutivos posteriores à entrada em vigor da futura lei e desistir de ações judiciais relacionadas aos débitos abrangidos.
Portanto, não significa que todas as dívidas de qualquer natureza serão automaticamente eliminadas.
Antes de considerar um débito perdoado, o empreendedor deverá verificar se ele se enquadra nas condições previstas e aguardar a conclusão da tramitação legislativa.
4. MEI poderá contratar dois funcionários?
Atualmente, a regra geral permite que o MEI mantenha apenas um empregado.
O projeto aprovado pela Câmara prevê a possibilidade de contratar até dois funcionários, desde que recebam exclusivamente um salário mínimo ou o piso salarial da categoria profissional, observadas as condições estabelecidas no texto.
A mudança poderá ajudar pequenos negócios que precisam ampliar a equipe para atender à demanda, organizar a operação e crescer.
Até que a nova regra entre em vigor, o empreendedor deve continuar respeitando os limites atuais de contratação.
5. E o Pix MEI de até R$ 5 mil?
Além das mudanças aprovadas pela Câmara, foi anunciado um benefício de até R$ 5 mil para investimentos em pequenos negócios, conhecido como Pix MEI.
A proposta prevê um recurso não reembolsável, ou seja, que não precisaria ser devolvido pelo beneficiário.
Entretanto, conforme as informações divulgadas, essa medida ainda depende de encaminhamento e tramitação próprios. Não se deve presumir que o benefício já esteja disponível para solicitação.
Os critérios de elegibilidade, os procedimentos e os prazos precisarão ser definidos oficialmente.
6. O que essas mudanças exigem das empresas?
As propostas relacionadas à jornada de trabalho e ao MEI podem exigir planejamento por parte de empresas e empreendedores.
Para se preparar, vale:
- Revisar os custos: avalie como mudanças na jornada e na contratação podem afetar a folha de pagamento.
- Organizar o faturamento: acompanhe mensalmente as receitas para saber quando a empresa se aproxima do limite do MEI.
- Regularizar pendências: identifique débitos existentes e verifique sua situação fiscal.
- Planejar o crescimento: avalie se o enquadramento atual continua adequado ao tamanho e às necessidades do negócio.
- Acompanhar a legislação: não antecipe mudanças operacionais com base apenas na aprovação de um projeto.
O planejamento contábil e financeiro ajuda a reduzir riscos e permite que o empreendedor tome decisões com mais segurança.
Conclusão
As aprovações no Senado e na Câmara colocam em discussão mudanças relevantes para o mercado de trabalho e para os pequenos negócios. A redução da jornada semanal, o aumento do limite do MEI, o perdão de determinadas dívidas e a possibilidade de contratar mais funcionários podem alterar o planejamento de empresas e empreendedores.
No entanto, cada medida está em uma etapa legislativa específica. Por isso, é essencial acompanhar a tramitação e confirmar quando as regras passarão a valer.
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Perguntas frequentes
A escala 6×1 já acabou?
A aprovação da PEC pelo Senado não significa, por si só, que a nova jornada já esteja em vigor. É necessário acompanhar a conclusão do processo legislativo e as regras de implementação.
O limite do MEI já passou para R$ 110 mil?
Não. O projeto aprovado pela Câmara prevê esse valor para 2027 e R$ 140 mil a partir de 2028, mas ainda precisa concluir a tramitação legislativa.
Todas as dívidas do MEI serão perdoadas?
Não necessariamente. O projeto estabelece condições e trata de débitos abrangidos pela proposta. A elegibilidade deverá ser confirmada conforme a lei definitiva.
O MEI já pode contratar dois funcionários?
Não com base apenas na aprovação da Câmara. Até a entrada em vigor da nova regra, deve ser respeitado o limite atual de contratação.





